sábado, 23 de janeiro de 2021

O Ocultismo dos Otokama (Mudando os Pequenos Mundos)

 



Os Otokama exerciam o poder compartilhado com os Kimura para manter o domínio sobre a área rural de Farol da Serra. O status que tal poder concedia estava no fato de que essas duas famílias sempre foram as mais fieis nos propósitos do Clube. Os Otokama escondiam segredos obscuros. Foi a família que mais mergulhou no ocultismo, trazendo à tona conhecimentos que ultrapassavam até mesmo os ensinamentos do Clube. Eles queriam o poder e se embriagavam com ele. Uma história sinistra cercava o velho moinho dos Kimura, o que levava a crer que algo mais sinistro ainda estava para acontecer no novo moinho construído pelos Otokama, erguido para comemorar uma nova era no pacto das famílias fundadoras. Jorge e Renata Otokama formavam um casal tão assustador que até mesmo a neta que levava o nome da família preferiu morar com os Kimura por achá-los sombrios demais. Era um casal que almejava o poder e o conhecimento oculto, sendo fieis servos do Clube e estando sempre dispostos a trabalhar pela manutenção do antigo pacto. Na fundação de Farol da Serra houve um ritual que serviu para proporcionar o poder a cada Família Fundadora que se manteve fiel ao Clube. Esse ritual havia sido esquecido, mas com a volta do Mestre, ele seria refeito para inaugurar uma nova era de prosperidade e poder. E cabia aos Otokama preparar o terreno para a realização desse evento. Sofia preferia não ter nascido com esse sobrenome. Sempre teve medo dos avós paternos, preferindo morar com os avós maternos, os Kimura. No entanto, ela desconhecia o papel que era reservado a ela no novo pacto que seria feito entre as famílias. Ser uma portadora dos dois sangues era um “privilégio” que ela não compreendia. Os Otokama, junto com os Kimura, os Matsumoto e os Ishikawa, fazia parte do grupo de famílias participantes do Primeiro Pacto. Esse pacto exigia um juramento de fidelidade e uma obediência cega às regras do Clube. Aqueles que as descumprissem poderiam ser punidos com o desprezo ou até a morte.

 

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