Os Otokama exerciam o poder compartilhado com os Kimura para manter o domínio
sobre a área rural de Farol da Serra. O status que tal poder concedia estava no
fato de que essas duas famílias sempre foram as mais fieis nos propósitos do
Clube. Os Otokama escondiam segredos obscuros. Foi a família que mais mergulhou
no ocultismo, trazendo à tona conhecimentos que ultrapassavam até mesmo os
ensinamentos do Clube. Eles queriam o poder e se embriagavam com ele. Uma
história sinistra cercava o velho moinho dos Kimura, o que levava a crer que
algo mais sinistro ainda estava para acontecer no novo moinho construído pelos
Otokama, erguido para comemorar uma nova era no pacto das famílias fundadoras. Jorge
e Renata Otokama formavam um casal tão assustador que até mesmo a neta que levava o
nome da família preferiu morar com os Kimura por achá-los sombrios demais. Era
um casal que almejava o poder e o conhecimento oculto, sendo fieis servos do
Clube e estando sempre dispostos a trabalhar pela manutenção do antigo pacto. Na
fundação de Farol da Serra houve um ritual que serviu para proporcionar o poder
a cada Família Fundadora que se manteve fiel ao Clube. Esse ritual havia sido
esquecido, mas com a volta do Mestre, ele seria refeito para inaugurar uma nova
era de prosperidade e poder. E cabia aos Otokama preparar o terreno para a
realização desse evento. Sofia preferia não ter nascido com esse sobrenome.
Sempre teve medo dos avós paternos, preferindo morar com os avós maternos, os
Kimura. No entanto, ela desconhecia o papel que era reservado a ela no novo
pacto que seria feito entre as famílias. Ser uma portadora dos dois sangues era
um “privilégio” que ela não compreendia. Os Otokama, junto com os Kimura, os
Matsumoto e os Ishikawa, fazia parte do grupo de famílias participantes do
Primeiro Pacto. Esse pacto exigia um juramento de fidelidade e uma obediência
cega às regras do Clube. Aqueles que as descumprissem poderiam ser punidos com o
desprezo ou até a morte.

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